A época de desova das tartarugas marinhas em Santo Antão representa, todos os anos, um período de intenso trabalho de monitorização, proteção e sensibilização. Ao longo da época de 2026, a TerriMar – Ambiente e Desenvolvimento Sustentável reforçou as suas ações de conservação, envolvendo técnicos, voluntários e comunidades na proteção das tartarugas marinhas e dos seus locais de desova.
Capacitação para o início da época
Como preparação para a época de desova, nos dias 29 e 30 de junho, a TerriMar realizou uma formação de capacitação dirigida aos técnicos envolvidos na campanha de conservação das tartarugas marinhas e aos voluntários.
A formação teve como objetivo reforçar os conhecimentos e preparar as equipas para o trabalho de campo, contribuindo para uma monitorização mais eficaz das praias e para uma melhor proteção das tartarugas, dos ninhos e das áreas de desova.
Primeiros rastos identificados em junho
Embora o trabalho de campo tenha sido reforçado no início da época, os primeiros sinais de atividade de desova foram identificados ainda no mês de junho.

No dia 25 de junho, foram registados os primeiros rastos de tartarugas marinhas nas zonas da Cruzinha, Barca e Curralinho, em Tarrafal de Monte Trigo, marcando o início de mais uma época de acompanhamento da presença destas espécies nas praias de Santo Antão.
A identificação dos rastos permite às equipas acompanhar a atividade de desova, localizar os ninhos e adotar medidas de proteção sempre que necessário.
Acampamento na Praia Grande reforça a proteção no Tarrafal
No dia 10 de julho, teve início o acampamento de monitorização e proteção na Praia Grande, em Tarrafal de Monte Trigo.
A presença das equipas no terreno permite acompanhar regularmente a praia durante a época de desova, identificar rastos e ninhos e reforçar a sensibilização junto das pessoas que frequentam a zona.
Este trabalho é particularmente importante durante a noite, período em que as fêmeas procuram as praias para realizar a desova, exigindo atenção para evitar perturbações e garantir condições adequadas para a reprodução.
Viveiro de incubação controlada instalado na Praia de Topo
No Porto Novo, a TerriMar instalou um viveiro de incubação controlada de ninhos de tartarugas marinhas na Praia de Topo.
A instalação do viveiro constitui uma das medidas utilizadas para proteger ninhos que necessitam de ser transferidos para um espaço controlado, permitindo o acompanhamento do processo de incubação e contribuindo para aumentar as condições de segurança dos ovos.
Registos de apanha de tartarugas
Apesar das ações de conservação e sensibilização desenvolvidas durante a época, foram identificados dois casos de apanha de tartarugas marinhas.
Um dos casos ocorreu em julho, na Praia de Matinho Verde, e o segundo foi registado em agosto, na Praia de Topo.
Estes acontecimentos reforçam a necessidade de manter a vigilância, a sensibilização e o envolvimento de todos na proteção das tartarugas marinhas e dos seus habitats.
Uma desova rara na Praia de Armazém
Um dos momentos marcantes desta época aconteceu no dia 22 de julho, quando uma tartaruga marinha chegou à Praia de Armazém, no Porto Novo, para realizar a sua desova.
A ocorrência chamou particular atenção por se tratar de uma praia iluminada e frequentemente ocupada por pessoas, condições que podem dificultar a subida das tartarugas à praia e interferir no comportamento de desova.

Nesta ocasião, a intervenção de um cidadão, Alexson, foi fundamental.
Ao identificar a presença da tartaruga, Alexson acompanhou o animal durante o processo de desova, procurando evitar que as pessoas se aproximassem, fizessem barulho ou utilizassem luzes diretamente sobre a tartaruga.
Depois da desova, contou os ovos, protegeu o ninho e acompanhou a tartaruga até ao momento em que regressou ao mar.
A atitude demonstra como a participação individual pode fazer a diferença na conservação da biodiversidade. Em praias com grande presença humana, comportamentos simples — como manter distância, reduzir o ruído, evitar o uso de luzes e não tocar nos animais — podem contribuir para que uma tartaruga consiga completar o seu processo de desova com menor perturbação.
“Adote um Ninho”: conservação com participação
No dia 7 de julho, a TerriMar lançou a campanha “Adote um Ninho de Tartarugas Marinhas em Santo Antão”, procurando aproximar a comunidade da conservação destas espécies.
A campanha permite transformar o apoio à conservação numa forma concreta de participação, contribuindo para o trabalho desenvolvido durante a época de desova e para a proteção dos ninhos.
Mais do que uma campanha de apoio, “Adote um Ninho” pretende sensibilizar para a importância de cada ninho e para o papel que a sociedade pode desempenhar na proteção das tartarugas marinhas.
Proteger as tartarugas é responsabilidade de todos
A época de desova exige um trabalho contínuo no terreno. Desde a identificação dos primeiros rastos, passando pela monitorização das praias, proteção dos ninhos, funcionamento dos acampamentos e viveiros e sensibilização das comunidades, cada etapa contribui para a conservação das tartarugas marinhas em Santo Antão.
Mas a conservação não depende apenas das equipas que trabalham no terreno. A participação da comunidade é igualmente fundamental.
Quando uma pessoa protege um ninho, evita perturbar uma tartaruga, reduz o uso de luzes numa praia de desova ou simplesmente alerta outras pessoas para a importância de manter distância dos animais, está também a contribuir para a conservação.
A história de Alexson na Praia de Armazém é um exemplo disso: a conservação também acontece quando cada cidadão decide fazer a sua parte.
A TerriMar continuará a acompanhar a época de desova e a desenvolver ações de proteção, monitorização e sensibilização, contando com o envolvimento das comunidades e de todos aqueles que acreditam na importância de proteger as tartarugas marinhas e os ecossistemas costeiros de Santo Antão.
